Tributo a Marlon Brando

Em Hollywood o jeito de dizer dane-se é “confie em mim”. Nem sempre isso é verdade. Lá eu conheci pessoas maravilhosas e honestas, mas também encontrei um número considerável de prostitutas, trapaceiros e ladrões.
(Marlon Brando)

Hoje, lembramos mais ainda de  Marlon Brando.  Ele nasceu  no dia 03 de abril de 1924, na cidade de Omaha, no estado americano do Nebraska e morreu aos 80 anos de idade no dia 01 de julho de 2004, em Los Angeles. Um adolescente de infância difícil e uma juventude marcada pela rebeldia.

É difícil dizer qual o melhor desempenho de Brando, em face de ser um ator que não se repete, sua forma de atuação é viva, é visceral. Um dos aspectos que temos de observar na sua trajetória cinematográfica é sua interpretação quase real como morre em alguns filmes, basta ver as diversas formas como isso acontece: baleado, esfaqueado, queimado, devorado, vítima de ataque cardíaco e outras.

Em todas as tomadas, ele transmite ao telespectador um impacto real. Isso acontece nos filmes: Os Deuses Vencidos, onde vive um oficial nazista, durante a segunda Guerra Mundial e morre quando é atingido por tiros, rola de um barranco e cai numa poça d’água, cena expressa uma realidade gritante, principalmente pelas bolhas de ar que emergem na superfície.

Em Viva Zapata!, morre quase de cócoras, quando é emboscado e recebe uma rajada de tiros; em Último Tango em Paris, morre em posição fetal, após ser baleado pela ex-amante. É como se quisesse voltar ao útero da mãe tão amada. No premiado O Poderoso Chefão, morre de um ataque cardíaco e cai ao chão quando está brincando com seu neto; é o gigante que tomba e caímos juntos com o “padrinho”.

Na refilmagem de O Grande Motim, morre com queimaduras por todo o corpo e fica tremendo como tivesse frio, pois ao pesquisar mortes com estas características, descobriu que as vítimas sentiam tal sensação quando morriam.

Ele gostava de mulheres exóticas e geralmente morenas, entre elas, as atrizes potoriquenha Rita Moreno e a mexicana Movita Castaneda, com que se casou. Seu primeiro matrimônio foi com a atriz Anna Kashfi, com quem teve um filho chamado Cristian, que, no ano de 1990,  assassinou o namorado de outra filha de Brando, Cheyenne, esta fruto da relação com a taitiana Tarita Teriipaia. Pelo crime, seu filho foi condenado a dez anos de prisão e foi, sem dúvida, um momento difícil na vida do Ator.

Para o companheiro de filmagens em O Poderoso Chefão, Robert Duwall, Marlon Brando foi maior que Lawrence Olivier e o cinema fica com uma lacuna impreenchível. Seu último filme foi Cartada Final (2001), onde apenas aparece como mentor de um roubo e atua ao lado de talentos como Robert De Niro e Edward Norton, formando um trio que representa três gerações e formas parecidas de atuação.

Em seus últimos anos, viveu recluso em sua mansão na Mulholland Drive, Los Angeles, perto da casa de Jack Nicholson. Saia raramente para jantar com o amigo Johnny Deep, com quem contracenou em Dom Juan de Marco. Cada vez que assisto uma interpretação de Brando, percebo que ele sempre está melhor que antes. A sua trajetória como ator ficará nas nossas lembranças.

Brando está morto. Contudo, todas as suas mortes e seus retornos serão relembrados eternamente. O cinema o deve muito e seu legado é um brilho eterno na galáxia dos irmãos Lumière. Brando sempre Brando

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Walter Filho

Walter Filho

É Promotor de Justiça titular da 9a Promotoria da Fazenda Pública. Foi um dos idealizadores do PROCON de Fortaleza e ex-Coordenador Geral do DECON–CE. Participou e foi assistente de direção do premiado filme O Sertão das Memórias, dirigido pelo cineasta José Araújo. Autor dos livros: CINEMA - A Lâmina Que Corta e O CASO CESARE BATTISTI - A Palavra da Corte: A Confissão do Terrorista

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