Mad Max – Estrada da Fúria (2015)

Aproveito o lançamento de Estrada da Fúria para fazer um contraponto com a trilogia Mad Max, que foi um marco da cinematografia em movimento – carros e motos se despedaçam nas estradas durante violentas perseguições. O filme inicial foi lançado no final da década de 1970, pelo então desconhecido diretor George Miller. A recém-lançada versão privou as novas gerações de assistirem em telas gigantescas e 3D, as alucinadas perseguições ao guerreiro Max.

“Melhor seria ter matado Max no início das filmagens e, assim, deixar os amantes da inesquecível trilogia com as lembranças dos dois primeiros episódios.”

Em seu novo trabalho, de um inegável apuro visual apocalíptico, o ousado Diretor foi por demais injusto ao impedir a personagem Max de dirigir (aparece numa cena de abertura) seu carro Ford

Falcon V8 Interceptor – símbolo máximo nos episódios I e II e que embalou gerações. Projetou um homem mudo e mercenário. O atual Max (Tom Hardy) nada carrega do ex-policial idealista vivido por Mel Gibson, devastado lá atrás pela tragédia familiar no roncar das máquinas assassinas – sua amada mulher e seu filho pequeno são covardemente atropelados. Fez do outrora guerreiro solitário um mero fantoche. Uma pena!

A trama é sem nenhuma inovação, não há nada de novo, a não ser um louco tocando guitarra que muitos estão adorando; e umas simpáticas velhinhas guerreiras.  Na história – sai do nada e vai a lugar nenhum – Max poderia nem existir no roteiro. A protagonista Furiosa interpretada pela bela e talentosa Charlize Theron já bastava. O vilão Immortan Joe (Keays-Byrne) é portador de uma doença, assim como era o líder dos mercenários do episódio II; ambos usam máscaras para esconderem os rostos desfigurados. Expõe o protagonista na frente do carro em batalha – cena já conhecida. Recorre mais uma vez ao combate e perseguição ao caminhão tanque já feita anteriormente em Mad Max II – A Caçada Continua, de 1981, que, sem dúvida, é o mais emblemático de todos. Melhor seria ter matado Max no início das filmagens e, assim, deixar os amantes da inesquecível trilogia com as lembranças dos dois primeiros episódios.

Mad Max I e II fazem parte de nossas memórias e, quando olhamos para o passado, fica difícil demais vê-los somente como meros filmes de ação. A fúria de Max nasceu no drama familiar e na brutalidade de homens nas estradas da violência (tão atual nos dias que vivemos) – tudo emerge da omissão do Estado diante do crime e das arruaças dos malfeitores. As obras iniciais são marcas de uma época e não se perderam no tempo, ficaram guardadas na sempre saudosa juventude.

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Walter Filho

Walter Filho

É Promotor de Justiça titular da 9a Promotoria da Fazenda Pública. Foi um dos idealizadores do PROCON de Fortaleza e ex-Coordenador Geral do DECON–CE. Participou e foi assistente de direção do premiado filme O Sertão das Memórias, dirigido pelo cineasta José Araújo. Autor dos livros: CINEMA - A Lâmina Que Corta e O CASO CESARE BATTISTI - A Palavra da Corte: A Confissão do Terrorista

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