2001: Uma Odisséia no Espaço (1969)

A música clássica escolhida por Kubrick existe além da ação, pois exalta e busca o sublime e dá seriedade e transcendência ao visual.
(Roger Ebert)

Obra-prima de Stanley Kubrick feita no final da década de 1960, este filme colaborou para a divulgação da ficção científica e, sem qualquer dúvida, foi pelas competentes mãos deste genial diretor que o gênero se solidificou e revolucionou a indústria cinematográfica

Na época do lançamento, este extraordinário trabalho causou um enorme impacto no âmbito da sétima arte, levando-o para o patamar das discussões filosóficas. Ao vê-lo, você sente como Kubrick (De Olhos Bem Fechados, de 1999, sua última jornada) nos leva a um mundo surrealista e nossa imaginação parece querer nos colocar dentro da tela e aí percebemos sua grandeza e transcendemos até onde permite o  limitado conhecimento humano.

Há um tom sério e filosófico na ficção, fugindo aos efeitos visuais comuns. É nossa história contada em um visual grandioso e intrigante, com um fundo musical em  sintonia com as imagens. Grande parte das cenas estão associadas ao som da música Assim Falou Zaratustra, de Richard Strauss e da valsa Danúbio Azul, de Joham Strauss. É uma tomada de consciência do ser com o cosmo e, quando a ouvimos em qualquer lugar e hora, nossa memória é ativada e voltamos no tempo, para mais uma vez, mergulharmos no universo infinito de Kubrick.

Os protagonistas da história não eram muito conhecidos no meio artístico e  tal fato contribuiu para que esta ficção não esteja nas lembranças do chamado “grande público”, sendo mais comentada no meio acadêmico e entre os amantes do cinema. Quem conhece Keir Dullea, que fez o astronauta Dave Bowman?  Quase ninguém, nem mesmo quem assiste sabe quem é o protagonista. Vale salientar que isto em nada tira ou diminui o brilho da película.

O filme tem poucos diálogos e deixa o espectador dirigir sua mente no admirável cenário. É uma meditação diante de imagens que despertam nossa consciência e nos faz sentir que somos seres humanos com suporte no pensamento: Cogito, ergo sum! Temos os primeiros crimes da espécie, quando os símios descobrem que o osso é uma arma e matam uns aos outros diante do misterioso monólito negro.

Em seu afã perfeccionista, o notável diretor inglês contou com a colaboração de engenheiros da NASA e técnicos da IBM para montar seu engenhoso mundo futurista. O computador HAL 9000 pode estar superado pelas tecnologias avançadas atuais, mas sua “obediência” no cumprimento da missão, revela o quanto a cibernética pode ser perigosa, principalmente, quando programada para matar.

No início, sentimos a lentidão da narrativa e ficamos em órbita até quase sua metade e, aos poucos, nos identificamos com tudo que é mostrado e, ao final, uma expressão é dita automaticamente: “Kubrick jamais nos decepcionaria.”

No fim, temos uma volta a nossa origem embrionária e não conseguimos decifrar a origem do monólito negro – talvez tenha sido deixado por civilizações avançadas –  ficando, portanto, no campo da imaginação de cada cinéfilo, que, em sua trajetória de vida, não pode deixar de assistir a esta inesquecível ficção.

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Walter Filho

Walter Filho

É Promotor de Justiça titular da 9a Promotoria da Fazenda Pública. Foi um dos idealizadores do PROCON de Fortaleza e ex-Coordenador Geral do DECON–CE. Participou e foi assistente de direção do premiado filme O Sertão das Memórias, dirigido pelo cineasta José Araújo. Autor dos livros: CINEMA - A Lâmina Que Corta e O CASO CESARE BATTISTI - A Palavra da Corte: A Confissão do Terrorista

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