Ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1989, esse belo filme italiano dirigido por Giuseppe Tornatore traz, em sua essência, uma verdadeira declaração de amor ao cinema. A história acompanha a profunda amizade entre Totó, um garoto esperto de 8 anos, e Alfredo (Philippe Noiret), o projecionista do cinema local que dá nome ao filme, na pequena Giancaldo, na Sicília.
Ambientado no Pós-Guerra, quando o cinema — pertencente à igreja — era a única diversão da cidade, o enredo gira em torno de Salvatore di Vitto, o Totó, interpretado por três atores ao longo de 30 anos: Salvatore Cascio (infância), Marco Leonardi (adolescência) e Jacques Perrin (fase adulta). O filme começa em Roma, em 1988, quando um renomado diretor recebe a notícia da morte de “um tal Alfredo” e mergulha nas lembranças da infância marcada pela ausência do pai, desaparecido na guerra.
Apaixonado por cinema, Totó insiste em frequentar a sala de projeção até conquistar a amizade do teimoso Alfredo. O cinema torna-se seu refúgio e, durante as sessões, conhecemos personagens marcantes e momentos inesquecíveis: os beijos censurados pelo Padre, os protestos divertidos do público, encontros secretos e as emoções coletivas diante da tela.
Com uma narrativa simples e personagens cativantes, Cinema Paradiso brilha nas sutilezas. Uma das cenas mais tocantes mostra a mãe de Totó recebendo a confirmação da morte do marido enquanto passa por um cartaz de “E O Vento Levou”, lembrando as palavras de Alfredo sobre o pai do menino. Outro momento memorável ocorre quando Alfredo projeta o filme no muro da casa em frente para quem ficou do lado de fora do cinema — sequência acompanhada pela inesquecível trilha de Ennio Morricone — até que uma tragédia envolvendo as inflamáveis películas destrói o local e marca para sempre o velho projecionista.
Anos depois, já adolescente, Totó vive o amor impossível por Helena e é incentivado por Alfredo a deixar a cidade em busca do próprio destino. Trinta anos mais tarde, ele retorna para o funeral do amigo e reencontra memórias, rostos envelhecidos e a demolição do Nuevo Cinema Paradiso.
No desfecho, Totó recebe o último presente de Alfredo: um rolo de película que reúne todos os beijos censurados ao longo dos anos. Sozinho em sua sala de cinema, ele finalmente assiste à montagem que resume toda a paixão pela sétima arte. Tornatore e Morricone encerram a obra com uma das cenas mais emocionantes já filmadas — um tributo delicado ao cinema e à infância que permanece viva dentro de cada cinéfilo.
por Cirleide Mara